segunda-feira, 23 de julho de 2012

#Série | Grimm


Desde que comecei a assistir "Once Upon a Time" [veja o post sobre a série aqui], eu percebi o quanto sou encantada pelos contos de fada, pois até então eu tinha apenas aquela relação normal, que se baseava só no fato de eu ter crescido ouvindo essas historinhas cheias de fadas, princesas, príncipes e seres encantados. Eu acho interessantíssimo poder ver o quanto esses contos são diferentes quando visto por outras referências e como conseguimos transformá-los em histórias incríveis. Ver a diferença entre o conto mais "romantizado" na versão da Disney e o conto original, chega a ser fascinante. 

Por isso tudo, quando soube que uma nova série seria baseada nos contos dos Irmãos Grimm - os escritores de contos de fadas famosos como Chapeuzinho Vermelho, Branca de Neve, Cinderela, João e Maria, Rapunzel e A Bela Adormecida -, eu fiquei muito tentada a assistir. E como eu sou uma pessoa muito atrasada e quase nunca consigo acompanhar uma série logo de início, só consegui assisti-la recentemente.

A série "Grimm", da qual estou falando, consegue ter um roteiro tão original quanto o de "Once Upon a Time", apesar do primeiro ser muito mais sombrio do que o segundo. Esta série conta a história do detetive de homicídios Nick Buckhardt, um rapaz muito ágil e esperto em sua profissão, que começa a presenciar coisas muito estranhas, como ver o lado feio de algumas pessoas (elas parecem monstros). Quando sua tia Marie volta à cidade, ele fica sabendo do motivo de isso acontecer. Ele descobre que é descendente dos Grimm, um grupo anônimo de caçadores responsável por defender o mundo real contra as criaturas monstruosas, e que todas as histórias dos contos de fadas de fato aconteceram e foram escritas em livros como uma forma de alerta para as pessoas. 


O fato de Nick ser um Grimm pode trazer perigos para sua vida pessoal e profissional, pois os Wesens - nome dado às criaturas mágicas sobrenaturais - não poupam esforços de acabar com a vida de qualquer descendente dos Grimm e quem estiver associado a eles. Desta forma, ele não pode contar que é um Grimm para sua noiva, Juliette, e nem para seu parceiro de trabalho e amigo, Hank Griffin, colocando os dois em igual perigo.

Certo dia, quando está investigando mais um caso de homicídio, Nick conhece Monroe, uma criatura Wesen que vive em perfeito estado de harmonia entre a sua essência sobrenatural e o mundo humano, pois foi "reformado", ou seja, não traz mais perigo para as pessoas normais. Monroe é um Blutbad que, em outras palavras, vem a ser o famoso Lobo Mau dos contos. E é ele quem vai ajudar Nick a desvendar coisas sobre o mundo sobrenatural das criaturas e a entender tudo sobre o que pouco sabe, e isso vai acabar aproximando os dois e eles se tornam amigos.

Talvez lendo a sinopse a gente fica com aquela impressão de "Ué, mas cadê os contos de fadas propriamente ditos?". Eles não aparecem tão diretos, mas sim como o mistério que envolve os homicídios que Nick terá que desvendar. Cada episódio faz ligação com um conto. No episódio piloto, por exemplo, o homicídio da vez é de uma moça vestida com um capuz vermelho que estava correndo pela floresta e foi atacada por um lobo. E isso te lembra quem? Ao conto da Chapeuzinho Vermelho. E é desta forma que os contos são inseridos na série. O legal é que em cada episódio há uma citação do conto que aparecerá, o que nos faz logo ficar atentos aos detalhes, porque de uma forma ou outra é preciso saber sobre o que se trata o conto da vez.


Há um suspense em cada coisinha, desde a iluminação do ambiente onde a série ocorre até a forma como a câmera foca as pessoas. Parece que a todo instante você vai se deparar com alguma criatura horrenda ou que algo vai acontecer para te deixar em alerta. Achei todo esse mistério + suspense muito bem feito, fiquei o tempo todo muito presa aos acontecimentos à medida que passavam na tela. Fora que é muito legal ficar buscando os pequenos detalhes que te fazem lembrar dos contos. 

Como eu disse mais ali em cima, o roteiro é muito original. É super interessante a forma que encontraram de misturar investigação e os personagens famosos que tanto conhecemos, mas que aparecem aqui de uma outra forma, e é uma de genialidade sem tamanho terem criado tantos nomes para as criaturas Wesens. Se vocês derem uma pesquisada um pouco mais à fundo, verão uma lista completa com cada tipo de criatura, explicando o que cada uma delas é. Fico de queixo caído para tanta criatividade, devo tirar meu chapéu para isso.

Gostei bastante dos personagens. A relação entre Nick e Hank é aquela coisa de parceria mesmo, amigos além dos laços profissionais. E nem preciso falar do Monroe. A princípio achamos que ele é do mal, porém basta conhecermos um pouco mais dele para percebemos que ele é bem engraçado de um jeito irônico, sempre com um comentário na ponta língua. Quando Nick faz alguma pergunta boba, Monroe vem logo com um "Você é idiota ou o quê?"

Ainda estou assistindo ao segundo episódio, mas já posso garantir que a série promete muito. Dei uma lida no que vai acontecer em seguida e parece que só tende a melhorar muito. 

"Grimm" passa toda segunda-feira, às 23:00, no canal Universal Channel. 






Beijos :)

quarta-feira, 18 de julho de 2012

#Música | "Eu vou samplear, eu vou te roubar..."

Você já teve aquela sensação de estar ouvindo uma música e de repente achar que já a ouviu, mesmo que ela seja nova? Isso acontece porque é muito comum que samplers de músicas sejam copiados para outras, daí a prática de "samplear" alguém. O sampler nada mais é que uma batida ou trechos musicais usados para fazer novos sons e efeitos ou como uma base para novas produções musicais. 

Como diria a cantora e minha conterrânea Gaby Amarantos, "Eu vou samplear, eu vou te roubar..." (se não conhece de qual música estou falando, clique aqui), algumas pessoas alegam que, quando se "sampleia" alguém, se está roubando a base de determinada música. Mas, na verdade, é necessário ter uma licença (acredito que é preciso comprar os direitos) para poder usar os samplers, ou seja, as bases.

Abaixo reuni algumas músicas que foram sampleadas. A primeira música é a original e a segunda é que usa o sampler.

Breakfast in America - Supertramp                Cupid's Chokehold - Gym Glass Heroes  
          x         

Gimme! Gimme! Gimme! - Abba                    Hung Up - Madonna
          x          

The Tide is High - The Paragons                      Numba 1 - Kardinal Offishal ft. Keri Hilson
         x         

Wanna Be Starting Something - Michael Jackson           Please Don't Stop the Music - Rihanna
            x                     

Essas foram só algumas músicas que eu consegui lembrar no momento, mas existem muitas outras que foram sampleadas de músicas antigas. É só dar uma olhada no youtube e você encontrará várias delas.

E aí, consegue lembrar de alguma agora? Diga nos comentários! \o/

Beijos :)

segunda-feira, 16 de julho de 2012

#Meme | Seu blog é divo

Antes de tudo, gostaria de agradecer a Helaina, do blog Hipercriativa, que me indicou para este meme. Muito obrigada por ter lembrado de mim, fiquei muito surpresa por essa indicação :')


Regras:

  • Responder as perguntinhas
  • Escolher 10 blogs para repassar este meme e passar o link de seus respectivos blogs


Perguntinhas:

  • Seu nome/Apelido: La Petite (apelido que uso para assinar minhas postagens na blogosfera)
  • Sua idade: 20 anos (idade na qual eu já começo a me sentir velha e com medo das incertezas da vida :/)
  • Se você fosse uma personagem de livro, quem você gostaria de ser? Geralmente, quando leio um livro, tendo a me identificar nem que seja um pouquinho com as personagens, então não tenho aquela personagem que teria tudo de mim, mas como é para escolher uma, escolho a Hermione Granger, da série "Harry Potter", porque além de ser uma menina super inteligente, que sabe um pouco de todo tipo de assunto, ela é esperta e muito determinada.
  • Qual a melhor parte de se ter um blog? Poder escrever sobre tudo o que gosto e compartilhar isso com os leitores, além de interagir com eles e conhecer coisas novas.
  • 5 coisas que você não suporta: Falsidade, gente que se acha a melhor em tudo, mentira, cinismo ao extremo e neuras (sou meio neurótica com algumas coisas :/)
  • 5 coisas que você ama: Amizade, meus pais, livros, filmes e internet
  • Você acha que seu blog é divo? Acho que a palavra "divo" não seria a melhor, mas acho que é legal sim, haha.
  • Deixe uma mensagem para seus leitores: Muito obrigada por visitarem o blog, é muito bom poder saber o que vocês acham sobre as diversas coisas que posto. A melhor forma de saber como o blog está sendo recebido é a resposta de vocês, pois sem ela não tenho ideia do que melhorar por aqui. Espero que vocês gostem das postagens e sintam-se muito à vontade, da mesma forma como me sinto quando penso em algo para escrever.

Meus blogs escolhidos:

Posso pular isso? Conheço vários blogs legais e me sentiria muito forçada a indicá-los e acabar deixando algum de lado. Então farei o seguinte: Indico você, aí meu leitor, que me acompanha no blog, que poste este meme em seu blog. Desta forma, poderei interagir com todos e fazer com que todos sejam incluídos. Pode dizer que fui eu quem te indicou :)

quarta-feira, 11 de julho de 2012

#Filme | Como Estrelas na Terra



Emocionante do início ao fim, é tudo o que posso falar sobre este filme. Por isso não seria surpresa alguma se eu dissesse que chorei loucamente. Algumas cenas eram tão simples, mas que carregavam consigo uma emoção tão grande e mensagens tão significativas que, quando aliadas a boa trilha sonora, ficaram maravilhosas. Eu não pretendia fazer um post apenas sobre ele, mas como vi que tinha muita coisa para falar a respeito, decidi fazer.

"Como Estrelas na Terra" - também conhecido como "Somos Todos Diferentes" - é um filme  indiano de 2007 dirigido por Aamir Khan, que conta a história de Ishaan Awasthi, um menino com uma grande imaginação e criatividade para pintura, que vive no seu mundinho paralelo e não consegue entender o porquê de não aprender as matérias da escola como todos os seus outros colegas de classe, para ele as letras parecem "dançar" a sua frente. Os pais também não compreendem isso e acham que ele, na verdade, é assim por desinteresse e por gostar de se meter em confusão. 

O pai de Ishaan é um homem que cria os filhos para se tornarem "vencedores", pessoas que são boas em tudo o que fazem, então para ele é mais difícil entender que seu filho tem problemas - principalmente quando seu filho mais velho é o melhor aluno da turma. A mãe, por outro lado, ainda tenta ajudar o filho, mesmo que fracasse. O menino tira péssimas notas na escola, já repetiu de ano e nenhum professor tem mais paciência para ensiná-lo, por isso sugerem que mandem o garoto para uma escola especial. O pai não pensa duas vezes e manda Ishaan para um colégio interno. Lá o menino perde todo o brilho que ainda tinha para pintar. Ele se torna uma criança depressiva e se exclui.
É só quando o professor Nikumbh começa a dar aula de Artes na escola de Ishaan, que o menino será compreendido. Nikumbh passa a observar o garoto, percebe que este tem dislexia - um problema no cérebro que faz a pessoa ter dificuldades para ler e escrever - e fica indignado como os professores simplesmente viram as costas para todos os problemas de um menino que claramente precisa de ajuda. Ele vai até a casa dos pais de Ishaan e conversa com eles explicando todo o problema do menino. A partir daí ele cria métodos diferentes de estudo para que Ishaan consiga aprender as matérias da escola, tudo isso através da Arte, que é a única matéria na qual o menino mais se identifica.

Com esses novos métodos Ishaan percebe que pode sim aprender. O menino, inclusive, consegue voltar com toda a alegria que um dia tinha perdido por ter sofrido tantas repressões dos professores. É uma mudança gigantesca, não só interiormente no menino quanto no desempenho escolar.

Eu terminei de assistir as mais de duas horas deste filme e fiquei querendo mais e muito mais, porque teve uma importância tão grande para mim, que horas depois eu me peguei pensando nas tantas mensagens que o filme trouxe para mim. Me mudou consideravelmente.

É um filme que te faz perguntar sobre o sistema educacional e concluir como este mesmo sistema está tão despreparado para as diferentes situações que tiram os professores de suas zonas de conforto (que é aquela coisa chata que se limita a só enfiar o conteúdo na cabeça do aluno e este tem, de qualquer jeito, aprender, seja qual for a sua dificuldade). Seja aqui ou lá na Índia, o sistema está atrasado. Por isso é quase impossível você não fazer uma relação entre o filme e a sua própria vida na escola, o que te faz perceber como, realmente, alguns professores tendem a desprezar os problemas dos alunos, como se uma nota fosse realmente dizer o que um aluno sabe - e elas, as vezes, não dizem nada mesmo.

Roteiro, trilha sonora e atuações se unem de uma forma fantástica em "Como Estrelas na Terra" - cujo título original é "Taare Zameen Par". Darsheel Safary, que interpretou Ishaan, deu um show a parte. A interpretação dele foi real, muito humana para uma criança tão pequena como ele. Ver a confusão e solidão naqueles olhos era devastador, ele se expressava só com os olhinhos cheios de lágrimas, dava vontade de pegá-lo no colo e consolá-lo. Tem uma frase, em alguma cena do filme, que consegue simplificar a atuação de Darsheel: "Seus olhos berram por socorro". É exatamente assim! Darsheel passa emoção apenas com os olhos.


Aamir Khan, que não só interpretou Nikumbh como também produziu e dirigiu o filme, mostrou ser ótimo em todas essas coisas que se propõe a fazer. Assim como Darsheel, ele deu um show e conseguiu me emocionar em várias cenas, até mesmo naquelas que não pediam um lencinho de papel para enxugar meus olhos.

"Como Estrelas na Terra" é um filme que mistura a emoção, sensibilidade e alegria nas coisas mais simples - porque, afinal, é um filme de Bollywood do qual estou falando, sempre tem uma música contagiante com uma dancinha para animar.

Foi o primeiro filme completamente indiano que assisti. No início achei estranhíssimo misturarem hindi e inglês - em algumas cenas um determinado ator estava falando em hindi e, do nada, soltava uma expressão em inglês -, mas depois me acostumei. Já vou até procurar por mais filmes para assistir.

Se puderem, assistam e preparem as caixinhas de lenço, porque você vai se emocionar. Eu mesma, como já disse, chorei como um bebê.

Agora fiquem com o trailer:


Beijos :)

sábado, 7 de julho de 2012

#Livro | On the Road - Pé na Estrada


Assim como eu disse que teria muito o que falar sobre o livro "As aventuras de Robinson Crusoé", de Daniel Defoe [veja o post aqui], eu também tenho muito o que falar sobre "On the Road", mesmo porque os dois se assemelham no fato de falarem sobre jovens procurando por novas experiências para achar o sentido de suas vidas. E não só por isso. O livro de Kerouac foi importante para uma geração e muitas histórias legais aconteceram por trás e por causa deste livro, desde o modo como ele foi escrito, passando pelas influências que deixou até a dificuldade encontrada para que fosse traduzido brilhantemente aqui no Brasil. É de uma importância sem tamanho.

Antes de começar a falar sobre as minhas impressões do livro, devo explicar um pouquinho sobre a geração beat que está tão presente nesta obra e que é a grande linha de pensamento. Aos que nunca ouviram falar, a Geração Beat foi um movimento de contracultura que questionava os valores, pensamentos e a política da sociedade americana pós-segunda guerra. Os intelectuais que lideraram esse movimento eram, em grande maioria, boêmios e nômades que prezavam pela liberdade. Deste movimento surgiram os hippies, os punks e muitos outros, e foi o carro chefe para o acontecimento do famosíssimo festival de Woodstock anos mais tarde, para vocês verem como foi um grande marco. Até mesmo os Beatles, surgidos após esse período, tem esse nome graças ao "beat" do movimento. 

"On the Road - Pé na Estrada", escrito em 1951 por Jack Kerouac, fala sobre a história de Sal Paradise, um jovem escritor norte-americano que já estava cansado de sua vida pacata e decide viajar estrada a fora para experimentar novas coisas. O principal motivo de sua viagem é Dean Moriarty, um rapaz problemático, ávido pelo conhecimento e de espírito livre, que dá a Sal todas as sensações de liberdade que ele nunca teve. De carro eles atravessam os Estados Unidos, passando pela famosa Rota 66, conhecem pessoas dos mais diversos tipos e passam por experiências regadas a drogas, bebida, sexo e muito jazz, de uma maneira tão forte e visceral até então não vista.

O livro divide-se em cinco partes. A primeira é uma introdução a viagem principal, apresenta a maioria dos personagens e suas histórias e fala sobre a iniciativa de Sal em viajar, mostrando a primeira experiência dele ao se jogar na estrada cheio de sonhos com apenas cinquenta dólares no bolso (que, na época, ainda valia uma boa quantia) e algumas roupas numa sacola. As outras partes falam mais sobre a viagem com Dean e os episódios que aconteceram depois dela. Confesso que só entrei de cabeça na história a partir da parte 2, pois já começa com bem mais movimento do que a parte 1.

Os personagens são maravilhosos e, quando se unem a ideologias daquele período, se tornam ainda melhores e reais - o que são, de fato, pois a história foi baseada nos amigos e nas experiências de Jack Kerouac. Cada um, sendo secundário ou não, tem uma história de vida bem detalhada, que só uma pessoa que conviveu de verdade poderia saber e contar minuciosamente. Eles são um retrato do pensamento mais "moderno" da época pós-segunda guerra, pois ainda que vivam em uma sociedade cheia de puritanismo, eles pensam diferente e não estão nem aí para pudores. As personagens femininas mostram claramente esse lado. Marylou, mulher/amante de Dean, é o símbolo da não inocência feminina. Ela aplica golpes, é tão aventureira quanto qualquer homem e tem uma liberdade sexual muito incomum para as mulheres conservadoras da época. Aliás, todas as personagens femininas são fortes e de personalidade.

É quase impossível não se identificar com algum personagem quando eles buscam tanto pelo direito de ir e vir sem amarras morais. Sal é um rapaz mais centrado, um pouco conservador, as vezes até mesmo solitário, que quer entender as coisas ao seu redor. Dean, em contrapartida, é o lado mais insano, pois é um cara que vive intensamente e está andando de um lado para o outro sem saber onde quer chegar. Ele é daqueles que não se prende a ninguém, nem mesmo a um amigo ou as suas "mulheres" - Dean começa a história casado com Marylou, divorcia-se dela e casa-se com Camille, a quem ele trai sempre que viaja.

Incrível mesmo é ver o que a estrada representa e isso deixa as viagens ainda mais emocionantes de serem analisadas. Ela não mostra apenas a mudança de Sal e Dean à medida que eles conhecem novas pessoas, mas também mostra o lado sujo das pessoas e o que elas fazem para alcançar seus objetivos, é o grande lado podre do famoso sonho americano. As pessoas viajavam quilômetros e quilômetros atrás de uma condição de vida melhor, por igualdades de oportunidade e uma liberdade em diversas áreas. Aqui todos são retratados como normais, aqueles que falam palavrão, gírias, bebem, usam drogas, fazem sexo e levam uma vida boêmia, bem diferente do outro lado "certinho" da sociedade.

A linguagem, no entanto, não é uma das mais fáceis de acompanhar, não por se recheada de pensamentos complicados de entender, mas sim por ter sido construída com um fluxo diferente. Kerouac narra como fala, então é muito comum perceber que ele escrevia de acordo como suas ideias iam fluindo, algumas coisas vão correndo e, quando você se dá conta, já aconteceu muita história.  Isso é uma das características mais fortes dos livros escritos no período do movimento beat. Não há aquela valorização pela escrita certinha, seguindo os padrões. Há uma certa espontaneidade, os parágrafos se perdem um no outro e são grandes - o que mostra que Kerouac não ligava muito para eles, preferia escrever sem interromper sua inspiração. Outra coisa que pode tornar a leitura um pouco mais devagar é que, como Sal fez muitas viagens durante meses, ele conhece várias pessoas e isso pode te deixar meio perdido com tantos personagens. Alguns entram na história e você nem percebe. Mas, à medida que a trama se desenrola, você se acostuma com a forma de narrar de Kerouac.

Também devo apontar um outro fato importante: a tradução. Só de imaginar toda a dificuldade que Eduardo Bueno, o tradutor, teve de fazer para conseguir que o livro fosse publicado aqui no Brasil, eu fico passada e percebo o quanto de dedicação ele colocou ali naquela tradução. Apesar de ele ter preferido deixar a forma original dos diálogos - os diálogos em inglês são feitos em aspas e não em travessões como no português  -, eu vejo o quanto a tradução foi fiel. Cheguei a comparar tradução e original e a essência permaneceu, tão ágil e tocante quanto as palavras em inglês. Eduardo é um grande exemplo para os jovens que gostariam de ingressar nesta profissão.

Eu diria que "On the Road" é aquele tipo de livro que você deve ler aos pouquinhos e "degustar" o máximo que puder. E o que mais gostei foi de poder ver o lado real das pessoas num período tão cheio de mudanças.


Recentemente, a Editora L&PM - que detém os direitos da tradução hoje - lançou uma nova edição do livro, desta vez com a capa do filme e em tamanho convencional. Pois é, o livro ganhou finalmente uma adaptação para o cinema depois de mais de vinte anos que teve seus direitos comprados, com produção de Francis Coppola e direção do brasileiro Walter Salles - famoso por seus filmes rodados na estrada, como "Central do Brasil" e "Diários de Motocicleta".

Aos interessados, o filme estreia aqui no Brasil dia 13 de Julho, com Sam Riley (Sal Paradise), Garrett Hedlund (Dean Moriarty), Kristen Stewart (Marylou), Kirsten Dunst (Camille) e grande elenco. Dizem que a adaptação está muito boa e as críticas, até agora, foram positivas. Quero só ver, porque adaptar uma história tão longa, cheia de viagens e de uma grande importância como esta, não é tarefa fácil para ninguém, ainda mais quando muita gente espera por anos por este filme.

E, para terminar, transcreverei um dos mais célebres trechos do livro que consegue capturar meus pensamentos perfeitamente:

"Mas nessa época eles dançavam pelas ruas como piões frenéticos e eu me arrastava na mesma direção como tenho feito toda minha vida, sempre rastejando atrás de pessoas que me interessam, porque, para mim, pessoas mesmo são os loucos, os que estão loucos para viver, loucos para falar, loucos para serem salvos, que querem tudo ao mesmo tempo agora, aqueles que nunca bocejam e jamais falam chavões, mas queimam, queimam, queimam como fabulosos fogos de artifício explodindo como constelações em cujo centro fervilhante - pop! - pode-se ver um brilho azul e intenso até que todos 'aaaaaaah!'" - Página 25.

É isso aí, espero que vocês tenham gostado!

Beijos :)

quarta-feira, 4 de julho de 2012

#Divagando | A graça de ser sem-graça

Nina, da novela "Avenida Brasil"
Imagem: NaTelinha.com.br

Menina tímida, meio excluída, sem muito sal, pouca determinação, com problemas familiares e de autoestima baixa e quase inexistente. Já perceberam que nove entre dez mocinhas da literatura ou de telenovelas são praticamente assim? Elas passam a trama toda sofrendo, querendo atingir seus ideais e sair de seu casulo, passando por várias obstáculos.

Você sabe que elas são aquele tipo de garotas sem nenhum atrativo aparente, são tão comuns que até dói e, do nada, todos os caras mais bonitos do pedaço estão caidinhos por elas, como se de uma hora para outra elas tivessem mudado. E você também sabe que elas não mudaram, são as mesmas de sempre, mas sabe-se lá por quê os rapazes começaram a olhá-las com outros olhos.

Essas mesmas meninas sempre se colocam para baixo e se descrevem como normais, nem bonitas e nem feias. E elas sempre se apaixonam pelo menino mais inalcançável de todos e ficam suspirando pelos lados, perguntando-se o motivo de serem tão sem graça de forma que ninguém se interessa por elas. Isso pode funcionar muito bem na literatura, no cinema e na televisão, mas na vida real é bem diferente, não é? Talvez esse estereótipo da mocinha sem graça, sofredora e bláblá wiskhas sachê, deve ser uma constante para aproximar as garotas mais românticas da história e, assim, ocorra uma identificação mais rápida. Aí eu me pergunto: Será que não pode haver uma mocinha determinada, forte, divertida e que não tenha uma autoestima tão inferior? A protagonista pode ser até forte, porém no fundo ela tem um probleminha consigo mesma. Então qual é a graça nisso tudo?

Para ilustrar esse post vejamos a Nina - protagonista da novela "Avenida Brasil" -, que é sem-graça, faz um monte de burradas, veste-se mais "joãozinho style" para ficar invisível e tem três homens caidões por ela. Para os mais noveleiros como eu, fica a pergunta: O que tem de mais nessa menina? Ela é tão cheia de burrices que dá vontade de meter o tapa e, o mais engraçado de tudo, é que ao mesmo tempo fica aquela vontade de torcer para que ela se dê bem, por mais chata que possa ser.

De mocinhas sem sal e açúcar o mundo da literatura e do entretenimento está cheio por aí. Faltam-me dedos para contar as muitas Ninas, Isabellas e outras mocinhas lerdas que eu não me lembro no momento.

Qual a mocinha mais sem-graça que você já leu/assistiu? Deixe um comentário me respondendo! \o/

Beijos :)

P.S: Gostaram do novo layout do blog? Decidi mudar agora enquanto estou de férias, rs. Se alguém notar algum erro, me avise.

domingo, 1 de julho de 2012

#Série | Good Christian Belles (GCB)


Quando eu soube que a Kristin Chenoweth estava protagonizando uma série, na hora eu quis conferir sobre o que essa série falava, isso porque a Kristin fez um dos musicais que eu mais admiro nessa minha vida. E posso dizer que não me arrependi de ter assistido ao seriado que, embora curtinho, só tendo uma temporada com dez episódios, eu adorei, principalmente porque faz críticas a diversos fatores da sociedade - e quando isso se une a comédia, então, fica melhor ainda.

"Good Christian Belles", conhecido também por GCB, conta a história de Amanda Vaughn, uma mulher que acabou de ficar viúva e perdeu tudo o que tinha por conta dos golpes do falecido marido. Sem ter para onde ir, a única escapatória é morar novamente com sua mãe maluca, Gigi, que tenta ensinar a ela como educar seus filhos - da maneira errada. Sendo assim, ela acaba voltando com os filhos para a sua cidade natal, Dallas, no Texas, e pensa que tudo irá mudar. Quando volta à cidade, vira motivo de fofoca, já que ela, uma das poucas que havia saído de lá, retorna arruinada. As maiores fofocas são feitas por quatro desafetos seus: Carlene, Sharon, Cricket e Heather, mulheres de quem ela zombou durante todo o tempo em que estudaram juntas. Carlene, antes a feiosa da turma, passou por uma grande transformação e hoje vive de roupas de grife e num mundo luxuoso; Sharon, que na época da adolescência era uma das mais belas da escola, agora virou dona-de-casa e encontrou na comida a fuga dos seus problemas, passando a comer muito e perdendo todo o corpinho de outrora; Cricket, que perdeu seu namorado para Amanda quando eram adolescentes, tornou-se uma mulher bem sucedida e vive um casamento de aparências, pois seu marido é gay; e Heather, antes meio invisível na escola, virou uma mulher importante para os negócios da cidade e é a única que parece gostar mais de Amanda, aceitando as desculpas desta.

                               

Apesar de Amanda ter mudado muito dos tempos de escola até o momento presente, se tornando uma pessoa madura e sem julgar os outros por pouco, as "fofoqueiras" não se importam, querem mesmo é tornar a vida de Amanda um inferno, assim como ela fez com as delas muitos anos atrás. Então, com o comando de Carlene, todas fazem de um tudo para Amanda se dar mal. E elas sempre justificam seus atos com alguma frase religiosa e usam a igreja para mostrar ainda mais suas mágoas e seus rancores.

Adorei a série, de verdade. A forma encontrada de criticar as justificativas mesquinhas para se fazer algo usando o nome da religião, foi fantástica. As pessoas são hipócritas, vivem da aparência, se vangloriam de feitos do passado (ou se prendem a mágoas passadas), ficam no empasse de fazer o bem e/ou o mal e tantas outras características mais humanas impossíveis. 

Os personagens são ótimos e cada um possui uma personalidade marcante, bem detalhada, cheia de estereótipos e representam perfeitamente muitas figuras do nosso meio. Os atores conseguem dar o tom exato para seu respectivo personagem. Gigi, a mãe de Amanda, é aquele tipo de mulher meio maluca, dondoca e beberrona (um contraste ao luxo em que vive), acima de qualquer fofoca e que não liga muito para os preceitos morais, pois ensinou a filha a ser meio interesseira e usar a beleza para conseguir as coisas e, anos depois, tenta ensinar o mesmo para a neta, que se transforma depois que passa a morar com a avó, passando a vestir roupas curtas, o que não agrada nada Amanda. Outro coadjuvante que, embora não dê para saber muito sobre ele logo de cara, mas tem uma representação muito legal, é Blake Reilly, marido de Cricket, um homossexual não assumido que prefere ter um casamento de fachada do que assumir sua orientação sexual e chocar as pessoas hipócritas da high society. Personagens reais como esses são um prato cheio.



Apesar de ter gostado, tenho algumas outras coisas para apontar. Por só ter dez episódios, cada episódio contém muito informação, as coisas vão passando rápido e a história se desenvolve em pouco tempo. Isso pode dar uma certa confusão, ficamos meio perdidos no meio de tanta coisa acontecendo. Mal dá para pegar o nome de certos personagens, como os maridos das antagonistas, por exemplo. O certo seria ter mais episódios para que isso não acontecesse, mas eu sei que não seria possível, pois a série tinha um tempo exato para começar e terminar.

GCB foi baseada no livro "Good Christian Bitches", de Kim Gatlin, e produzida para substituir a série "Pan AM", que entrava de férias e voltaria depois. Infelizmente, a série foi cancelada com apenas 1 temporada, apesar de uma boa aceitação por parte do público e a grande campanha que fizeram para que ela continuasse. Acredito que foi cancelada pelos boicotes que estavam fazendo, com certeza os religiosos mais fanáticos não ficaram satisfeitos com as críticas que a série fazia. Parece que as pessoas só gostam de ver o mundo cor-de-rosa sendo retratado. Uma pena!
Aqui no Brasil a séria passa toda terça-feira, às 22:00 hrs, no canal a cabo Sony. Ainda dá tempo de acompanhar, acredito que ainda está passando o 5º episódio. E para terminar, deixo vocês com o trailer e uma montagem de quem é quem a série (clique na imagem para ampliar):




E aí, gostou da dica de hoje?

Beijos :)